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Borracha industrial

O que separa a borracha natural da sintética, em que SBR, EPDM e TPV realmente diferem, e qual convém segundo o uso, o orçamento e o prazo de entrega.

Atualizado em

Preços internacionais: Borracha industrial

Comprar borracha sem saber qual se precisa sai caro de duas maneiras: pagando por um material excessivo para o uso, ou economizando em um que se degrada em um ano. A diferença costuma estar em três ou quatro decisões tomadas antes de pedir a primeira cotação.

Esta página é o ponto de partida. Explica de onde vem cada tipo de borracha, em que diferem de verdade e o que perguntar antes de fechar um pedido.

De onde vem a borracha

Há duas origens e não se parecem em nada.

A borracha natural é extraída do látex da árvore Hevea brasiliensis. É o material original, com uma elasticidade que os sintéticos ainda perseguem, e com a desvantagem de todo produto agrícola: o preço depende da safra, do clima e da região.

A borracha sintética é derivada do petróleo. É fabricada em planta petroquímica, o que significa oferta estável, propriedades homogêneas de lote a lote e um preço que acompanha o do petróleo em vez do clima. Praticamente toda a borracha de uso industrial que você vai cotar é sintética.

As três que importam

Dentro da sintética, três tipos cobrem quase todo o mercado de produtos acabados.

SBR — estireno-butadieno

É a borracha sintética mais produzida do mundo. Foi inventada na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, quando as potências europeias perderam o acesso às plantações do sudeste asiático e foi preciso substituir a natural por algo fabricável em casa.

É um copolímero: a união química de dois monômeros que aportam coisas distintas.

A proporção entre os dois define se o material resultante é mais rígido ou mais elástico, e é uma das coisas que convém perguntar em uma ficha técnica.

Virgem ou reciclada. Esta distinção pesa mais no preço que a própria composição. O SBR virgem sai diretamente da petroquímica: mais limpo, mais caro e com propriedades constantes. O SBR reciclado sai da trituração de pneus fora de uso, prensados com aglutinante de poliuretano e curados em molde. Sua cor natural é o preto ou o cinza, porque essa é a cor da fuligem do pneu.

Em pisos esportivos, de peso livre e de CrossFit, o reciclado domina o mercado por uma diferença de custo que nenhum fabricante ignora.

EPDM — etileno, propileno e dieno

O nome são seus três componentes. Os dois primeiros formam cadeias longas e lisas que, sozinhas, deslizariam umas sobre as outras e ficariam deformadas ao serem esticadas.

O dieno é o que resolve isso: atua como ligação cruzada entre cadeias. Ao vulcanizar — calor mais enxofre — essas ligações se fecham e formam uma rede tridimensional. O resultado é que o material estica sob carga e volta à sua forma em vez de ficar marcado.

É a borracha de exterior. Resiste à radiação ultravioleta sem desbotar, o que a torna o material padrão de praças, parques e qualquer superfície ao tempo onde a estética importe. Admite uma ampla paleta de cores.

TPV — termoplástico vulcanizado

O mais caro dos três e o de maior variedade de cor. Muito durável, muito elástico e com a melhor retenção de cor ao tempo.

A contrapartida é de abastecimento e não de qualidade: raramente há estoque permanente, importa-se sob encomenda e os prazos são os de qualquer importação.

Quanto custa cada um

Os valores de importação declarados na aduana dão uma referência útil, porque são preços efetivamente pagos e não listas de oferta.

Material USD/kg
Látex de borracha natural 1,23
SBR látex 1,79
EPDM 2,81

Brasil, importações de 2023, NCM 4001.10, 4002.11 e 4002.70. Fonte: base de dados de comércio internacional das Nações Unidas (UN Comtrade).

A conclusão prática é a distância entre as linhas: o EPDM custa cerca de 57 % mais por quilo que o SBR. Essa diferença é a que precisa ser justificada cada vez que se especifica EPDM, e a razão pela qual tantos projetos combinam os dois.

Estes números são de matéria-prima a granel. O preço de um produto acabado incorpora ainda aglutinante, pigmento, energia, molde e margem de fábrica, e nenhum deles aparece aqui.

Como se decide

Quatro perguntas resolvem a maioria dos casos.

Vai ficar no sol? Se a resposta for sim, o SBR pigmentado vai perder cor. EPDM ou TPV.

A cor importa? O SBR reciclado admite pigmentação, mas com paleta curta e menor estabilidade. O EPDM abre a gama e o TPV abre por completo.

Qual é o seu prazo? É a pergunta que mais descarrila projetos. Um material importado pode levar cerca de noventa dias para chegar, e em alta temporada nem todas as cores estão disponíveis ao mesmo tempo. Se a obra tem data, o prazo manda sobre a especificação.

Qual é o orçamento por metro quadrado? Muitas vezes a resposta certa não é um material, mas dois: camada superficial de EPDM sobre base amortecedora de SBR reciclado. Paga-se a cor e a resistência ao tempo apenas na camada que se vê e se pisa, e o volume vem do material econômico.

Antes de pedir cotação

Uma cotação serve de pouco se não especifica o que precisa ser comparado. No mínimo: tipo de borracha e se é virgem ou reciclada, espessura, formato e medidas, cor com referência, quantidade, prazo de entrega e condição de entrega.

Sem esses dados, dois orçamentos do mesmo produto podem diferir 40 % sem que nenhum esteja mentindo.

Aplicações deste material

Para que se usa, com a espessura, o formato e os critérios de compra de cada caso.

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