EPDM: o que é e para que serve
EPDM é a sigla de ethylene propylene diene monomer: monômero de etileno-propileno-dieno. É a borracha que se coloca onde bate sol.
O que significam as três letras
O nome são literalmente seus três componentes, e o terceiro faz o trabalho interessante.
O etileno e o propileno formam cadeias moleculares longas e lisas. Sozinhas têm um problema: ao esticá-las, deslizam umas sobre as outras e ficam deformadas para sempre. É a diferença entre um material elástico e um que simplesmente cede.
O dieno resolve isso atuando como ligação cruzada. Ao vulcanizar — calor mais enxofre — essas ligações se fecham e amarram umas cadeias às outras, formando uma rede tridimensional.
O resultado prático: quando se aplica carga, as cadeias esticam e amortecem; quando se retira, as ligações do dieno as devolvem à posição. O material volta à sua forma em vez de ficar marcado.
Por que é a borracha de exterior
Resiste à radiação ultravioleta sem degradar nem perder cor. Só essa propriedade define quase todos os seus usos.
É o material padrão em praças, parques infantis, áreas recreativas e qualquer superfície ao tempo onde o aspecto faça parte do projeto. Admite ainda uma ampla paleta de cores, que é o que permite projetar com ele em vez de apenas cobrir.
O que saber antes de especificá-lo
Custa mais. Cerca de 57 % mais por quilo que a SBR, segundo valores de importação na aduana. É uma diferença que precisa ser justificada.
É importado. Raramente há produção local, então os prazos são os de qualquer importação: em torno de noventa dias. Se a obra tem data comprometida, isso pesa mais que qualquer consideração técnica.
Em alta temporada faltam cores. É um detalhe de abastecimento que não aparece em ficha técnica nenhuma e que descarrila projetos: a paleta é ampla no papel, mas nem todas as cores estão disponíveis ao mesmo tempo. Convém confirmar a disponibilidade da cor exata antes de fechar a especificação, não depois.
Quando compensa e quando não
Compensa quando há sol e a cor importa. Não compensa em interior, onde a SBR faz o mesmo trabalho estrutural por bem menos.
E há um terceiro caso, que costuma ser a resposta certa em obra: camada superficial de EPDM sobre base amortecedora de SBR reciclada. Paga-se a resistência ao sol e a cor apenas na camada que se vê e se pisa, e o volume — onde está o peso e portanto o custo — vem do material econômico.