A China não reportou 2025, e isso move todas as médias do setor
Em agosto de 2026 perguntámos à base de comércio das Nações Unidas quanta borracha sintética a China exportou em 2025. A resposta foi: nada. Em nenhuma das oito posições que seguimos.
Não é que a China tenha deixado de exportar. É que ainda não o declarou.
O atraso não é uniforme
A Comtrade publica o que cada país lhe envia, e cada país envia-o quando pode. Em agosto de 2026, a situação era esta:
| Reportam 2025 | Vão em 2024 |
|---|---|
| Estados Unidos, Tailândia, Indonésia, Brasil, Alemanha, Coreia | China, Costa do Marfim, Vietname, Peru, Costa Rica |
Esse desfasamento de um ano não é um detalhe administrativo quando o atrasado é o maior vendedor do mundo. Em 2024, a China exportou:
- 1.150.144 toneladas de borracha sintética (posição 4002)
- 300.793 toneladas de SBR
- 139.840 toneladas de revestimentos de piso, onde é o primeiro exportador mundial
Com cobertura de 100% nas oito posições e entre 65 e 194 parceiros comerciais por consulta. Quando a China reporta, reporta bem.
O que acontece a uma média a que falta o líder
Um preço médio ponderado dá a cada país o peso do seu volume. Tirar a China de 2025 não é tirar um país: é tirar o que mais pesa.
Vimo-lo com clareza nos revestimentos de piso. Com a lista de exportadores sem a China, o preço médio de saída dava 4,69 dólares o quilo — uma média dominada pela Alemanha, pelos Estados Unidos e pelo Japão, que vendem gama alta. Ao entrar a China, com 140.000 toneladas a 2,30, essa mesma média passou a 2,63.
A cifra não mudou porque o mercado se tenha movido. Mudou porque o mercado estava finalmente inteiro.
Como o resolvemos
A tentação é usar sempre o último ano disponível, porque é o mais fresco. A consequência é publicar médias de 2025 calculadas sem o maior vendedor do mundo.
Fizemos o contrário: o resumo de cada posição é calculado sobre o último ano em que estão todos os países imprescindíveis. Se o mais recente não os tiver, recua-se um.
Hoje isso significa que sete das oito posições são resumidas sobre 2024 e não sobre 2025. É um dado menos fresco e um dado mais verdadeiro.
Com uma ressalva que importa: só se exige um país imprescindível nas posições onde ele realmente participa. A China não exporta borracha natural em quantidade material, portanto exigi-la nessa posição deixá-la-ia à espera para sempre de um dado que não vai chegar. A borracha natural resume-se sobre 2025.
As tabelas continuam a mostrar o mais fresco
O que se fixa num ano único é apenas o resumo, porque é uma subtração e subtrair anos diferentes não significa nada. As tabelas país a país continuam a mostrar o dado mais recente de cada um — 2025 para quem o tiver — com o ano marcado ao lado do volume quando fica para trás.
Assim veem-se as duas coisas: o que cada país declara por sua conta, e o que se pode comparar com o quê.
A lição, para quem use estes dados
Se vai citar uma média de comércio internacional de um ano recente, pergunte primeiro quem falta. Não é uma pergunta retórica: a lista de quem reportou está disponível e consulta-se num minuto.
Uma média de 2025 sem a China, em qualquer produto onde a China mande, não é uma média de 2025. É uma média dos países pontuais, que é outra coisa e quase nunca a que se queria medir.